sábado, 24 de novembro de 2012

Bendito seja o mesmo sol




Bendito seja o mesmo sol de outras terras
 Que faz meus irmãos todos os homens
 Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu, 
E, nesse puro momento 
Todo limpo e sensível
 Regressam lacrimosamente
 E com um suspiro que mal sentem
 Ao homem verdadeiro e primitivo
 Que via o Sol nascer e ainda o não adorava.
Porque isso é natural — mais natural
 Que adorar o ouro e Deus 
E a arte e a moral 

Alberto Caeiro


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